segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Coisas que deixamos pelo caminho: Para cada escolha, uma renúncia


Este artigo é na verdade uma busca sobre uma resposta que já há algum tempo me causa inquietude.

Ao conversarmos com diversas pessoas, com diversos perfis, notamos com certa freqüência que a maior parte das pessoas tem certa insatisfação com os fenômenos e fatos que a cercam e isso me conduziu a construção deste artigo.

Estes dias li no twitter de um colega aqui do Blog, que dizia assim: - “Hoje cometi Orkutcídio, precisava, separar meu Eu virtual, do meu Eu de verdade.”

Observamos ao longo da nossa jornada, quais tem sido os esforços feitos para nos mantermos ativos, atualizados, focados e felizes e cada dia nos parece mais complexo conjugar prazer, felicidade e tempo.

Periodicamente somos recorrentes a seguinte frase: Eu era feliz e não sabia...
Será isso mesmo verdade?

Pergunto-me muitas vezes e ainda não cheguei a uma resposta conclusiva, porém constatei um fato, ao longo da nossa caminhada, algumas coisas deixamos pelo caminho...

Quando observamos a fase da infância, voltamos ao conforto e ventre da mãe, zona segura, conhecida e confortável. Quando chega o nascimento, vem a primeira ruptura, somos obrigados a sair da zona de conforto e já chegamos ao mundo tomando tapinhas no bumbum, aí que dor...

Logo vem a fase das descobertas, surgem os primeiros passos e com eles os primeiros sucessos e também fracassos. Aprendemos falar, brincar, reclamar e neste momento descobrimos que existe um mundo que apenas espera você dizer sim... Naturalmente, nem tudo são flores, com as descobertas, vem também às frustrações, descobrimos que existem outros além de nós e o mundo não para se você chorar. Vem logo a constatação: Não conseguimos ter tudo que queremos e temos que aceitar os insucessos que se apresentam a nossa frente. Neste momento deixamos no caminho um pouco da inocência...

Chega à fase infanto-juvenil e que beleza, a rua se apresenta como parque de diversões, que fase maravilhosa. Surgem os amigos, empinar pipa, esconde-esconde, pega-pega, bonecas, carrinhos, super-heróis, personagens de TV que nos fazem acreditar que somos mágicos. Neste momento também chega à fase da responsabilidade, irmos para a escola, estudarmos, aquele/a professora enorme que se apresenta de avental a nossa frente e com ele vem o medo de um novo mundo que se apresenta, não conseguimos apenas brincar, temos que conviver com adultos e seguir regras, eca... Descobrimos neste instante que deixamos pelo caminho um pouco da nossa liberdade que tanto gostávamos.

Mudamos de fase e eis que se apresenta a fase adolescente ou aborrecentes, sei lá, porém ela existe. Esta fase é marcante. Espinha no rosto, o gosto pelo futebol ou novelas, as primeiras paqueras, uma pseudo-independência que começa a ser construída por meio de uma jornada dupla. Agora descobrimos que somos fonte de rendimento e temos que trabalhar, aprendendo a conviver com uma pessoa chamada chefe... Além do trabalho a jornada segue, agora também temos que estudar no período noturno e descobrimos de pronto que o tempo não corre ao nosso favor e que agora nos sobra muito pouco tempo para desfrutar. Agora constatamos que acabamos de deixar no caminho amigos que se perdem, liberdade que não se tem e mundo perfeito que vivíamos...

Vem outra fase que torcemos logo para chegar, 18 anos e que parece que não vai chegar nunca, porém ele chega e quando chega um choque imediato. A vontade de tirar carta, sair de noite, viajar com os amigos é colidente com o vestibular, namorado/a, sexualidade e um turbilhão de coisas que se somam e conhecemos neste instante a palavra surtar. Somos imaturos, temos pose, cheio de hormônios, um corpo enorme e uma mentalidade de criança. Os conflitos interiores se confundem com a necessidade de tomarmos decisões rápidas. Descobrimos que além de amigos, namorados, chefes, enfim, temos que agradar um ser abstrato chamado sociedade e isso nos conduz a um ritmo vertiginoso e de pronto percebemos o tempo está passando rápido demais. Uma nova descoberta se apresenta: Neste momento deixamos pelo caminho dúvidas... e muitas...

Logo chega a fase madura e ela é implacável, dos 20 e poucos aos enta... é um pulo. Afinal, somos donos do próprio nariz! Temos formação, experiência, relacionamentos e traumas consolidados, dinheiro, carro, casa, filhos, contas, obrigações, agenda, celular, notebook, cartão de crédito e uma série de outras coisas para administrar. Isso nos da uma sensação de poder e ao mesmo tempo de insegurança, ou seja, como manter? Vem logo outra descoberta, vivemos em mundo onde é preciso conjugar ter e ser... E aí constatamos ao olhar no espelho: Onde foi que eu me perdi...

Chega à fase idosa. Nossa como passou rápido. Aqui começam as perdas e poucos ganhos. Parentes e amigos se vão. Notamos que a melhor idade chega e carrega consigo uma ameaça perigosa: Nossos pais ficam idosos, nossos filhos já saem de noite, nossa mulher dorme em outra cama e nós estamos completamente ranzinzas e chatos. Esta fase acompanha a aposentadoria e não queremos parar, precisamos de alguma atividade para ocupar nosso tempo e tentamos a todo custo mostrar que ainda servimos para alguma coisa... Descobrimos neste instante que a felicidade não tem nada a ver com a idade e que não importa o que você tem na vida e sim quem você tem na vida.

É amigo, você ficou velho! Descobriu que se tornou um fardo pesado demais para que outros lhe carreguem. A saúde frágil, as pernas fracas e memória que já se foi. Não queremos sair de casa, queremos e precisamos da presença de alguém em todos instantes, porém só aparecem os mesmos, os que sempre estiveram conosco. Antes da partida, começamos a refletir o que foi a nossa vida, mesmo com a memória fraca, bons momentos surgem a nossa mente, lágrimas caem dos nossos olhos e passam pelo nosso rosto. Quantas coisas boas, quanta gente interessante cruzou nossos caminhos, quantas sementes plantamos e quantos sorrisos tivemos. Neste momento descobrimos: Fui um sortudo!

Sortudo por ter abraçado minha esposa, beijado meus filhos, amado meus pais e ter sido fiel aos meus amigos e ter me despedido de cada um deles. Muitos poderão me dizer antes da partida que vivemos em um mundo ruim... Eu acho que não. A única certeza que deixamos na vida é que ela me pareceu curta. Se eu pudesse voltar ao passado, não mudaria nada, gostaria de ter a mesma vida que tive, pois ela me fez um homem muito feliz!

10 comentários:

Rafael disse...

Maróstica,


Parabéns pelo artigo! Espero que muitas pessoas leiam este artigo, principalmente aquelas dominadas somente pela ambição, afinal pensar apenas na realização profissional como meio para ser feliz na vida é um erro que muitos comentem. Pois acabam por deixar de lado amigos, namorado(a), esposa/marido, família, pensando que este sacrifício lhe trará um futuro melhor, porém, muitas vezes, acabam comemorando esta realização profissional sozinho, pois não resta mas ninguém ao seu lado.

Abraço,

Rafael de Souza
Especialista em Adm. de RH
rafaelsoz@hotmail.com
Ex-aluno INPG/Taubaté-SP

Reinaldo Cirilo disse...

Lindo texto mestre.

Vindo de você eu não esperava outra coisas, pois fui testemunha ocular de suas aulas super positivas e motivadoras.

Parabéns pelo texto.

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Parabéns pelo seu Blog!!!

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Solange disse...

Marostica,
é realmente "...não importa O QUE que você tem na vida e sim QUEM você tem na vida". Demais!
Sempre nos fazendo refletir e nos tirando da zona de conforto.
Que bom que nós e o mundo TEMOS voce.
Forte Abraço

Solange Folques
Revista Vero Gerente Comercial
solange@vero.com.br

Fabríi disse...

Maróstica,
Excelente Artigo!
Lembrei muito de uma "histórinha" que um cliente me contou quando você diz: - "cada dia nos parece mais complexo conjugar prazer, felicidade e tempo".
NO CASO AO DIVIDIRMOS NOSSA VIDA EM 3 ETAPAS TAMBÉM É COMPLEXO CONSEGUIRMOS SAÚDE, DINHEIRO E TEMPO, EM TODAS AS FASES.
Se considerarmos a 1ª Fase (0-25 anos): TEMOS MUITA SAÚDE E TEMPO!!Fazemos de tudo,são baixissimas nossas responsabilidades e preocupações! Sair com duas, três na mesma noite era fantástico. + NÃO TÍNHAMOS DINHEIRO!
A 2ª fase (26-50): TEMOS SAÚDE E DINHEIRO!!!, trabalhamos muito, compramos nossa casa própria, nosso carro, a casa de veraneio e muito mais. Aqui não temos tempo pra nada! Mais nem pensamos nisso! Queremos sempre mais e mais...
Chega a 3ª Fase (51-?):TEMOS DINHEIRO E TEMPO. Cadê a saúde?? gastamos nosso dinheiro com ela e cuidado, você ainda pode parar num asilo longe de tudo e de todos..

É por isso que hoje devemos procurar ganhar tempo! Viver bem! Estamos na 2ª Fase. TEMOS SAÚDE, DINHEIRO (ou estamos atrás dele) + não podemos esquecer do TEMPO!!
RELAXE E CURTA O SEU CAMINHO... Ontem é passado... Amanhã ainda não chegou... MAS HOJE É ABSOLUTAMENTE GLORIOSO. E É SEU PARA APROVEITAR!!!!!!

Sds
Fabrício Leite
Gestor Comercial e Eng. Têxtil
MSN:frlabreu@hotmail.com

Paulo Barreto i9 Consultoria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Barreto i9 Consultoria disse...

Olá Mestre e mentor,

Como sempre, você sabe como ninguém transmitir uma mensagem para todos, não importa quem seja pode ser um líder, um gestor, um vendedor, uma dona de casa, estudantes, CEO, etc.
Parabéns pelo artigo, como escrevi, também coloquei no meu blog e é um sucesso!!!
Desejo-lhe um ano abençoado e que o ano de 2000 seja "DEZ" em tudona sua vida.

Paulo Barreto
Professor e palestante Motivacional
http://paulobarretoi9consultoria.blogspot.com/

Anônimo disse...

Parabéns Marostica!

Adorei o tema e o texto esta muito interessante, não poderia ser diferente vindo de você meu amigo.

Sucesso!

Fellipe Ramalho

Marina Mitsuse disse...

Parabéns!!! Excelente artigo!!!! Abraço, Marina Mitsuse

Ju Brandalise disse...

Oi Marostica... muito isso... escrevi sobre meu pai, que se foi no meu blog...

http://julianabrandalise.blogspot.com.br/2017/04/ele-continua-comigo.html?spref=fb&m=1

Bjs